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Discurso completo · Institucional
Casa Rosada13 min de leitura

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O discurso critica a abordagem atual da ONU sobre direitos e burocracia, defendendo um retorno aos princípios da liberdade; retrata Milei como um líder que enfrenta decisões difíceis, alinhando-se assim a uma perspectiva mais neutra. A crítica à burocracia e a defesa da liberdade sugerem uma estrutura mais equilibrada que tende a visões centristas.

Institucional · Casa Rosada

Institucional · Casa Rosada
Fonte: Casa Rosada (CC BY 2.5 AR). Tradução realizada pela MileiHoy
Discurso do Presidente da Nação, Javier Milei, na 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Nova Iorque
Às autoridades das Nações Unidas, aos representantes dos países membros e a todos os cidadãos do mundo que acompanham atentamente esta cúpula, bom dia.
No ano passado, me coloquei diante de vocês nesta mesma assembleia e apresentei uma nova orientação em política externa para a Argentina. Sustentamos que era imperativo um retorno às ideias da liberdade, aos princípios imortais que sustentam a dignidade da vida, a liberdade e a propriedade de todos os indivíduos sob a lei, e a necessidade de que a cooperação internacional tenha como fim, precisamente, assegurá-las.
No entanto, percebi que a ONU se afastou de seu norte nas últimas décadas. O modelo de Nações Unidas que falava da necessidade de paz sem vitória e que se fundamentava na cooperação dos Estados-Nação foi substituído por um modelo de governo supranacional de burocratas internacionais que buscam impor aos cidadãos do mundo um modo de viver determinado. Assim, passamos de uma organização que pretendia mediar a paz entre pares a uma organização que pretende decidir não apenas o que cada Estado ou Nação deve fazer, mas também o que cada um dos indivíduos nas distintas latitudes do planeta deve fazer.
Nós acreditamos no fim original deste organismo. Acreditamos que existem problemas globais que requerem diálogo e cooperação internacional para serem resolvidos. Mas, para isso, devemos rejeitar essas extralimitções que frequentemente acompanham as agendas nobres, como afirmamos no ano passado, nunca acompanharemos o cerceamento das liberdades individuais, comerciais, nem a violação dos direitos naturais dos cidadãos dos Estados membros; e, durante o último ano e meio, votamos em consequência. Isso digo sabendo que muitos não compartilham minhas palavras porque — como sempre disse — é preferível dizer uma verdade incômoda do que uma mentira confortável.
Nesta linha, hoje quero falar sobre um problema específico que todos os países modernos enfrentam. Atualmente, no mundo todo, surge uma contradição entre o presente e o futuro, um problema de natureza política, econômica e filosófica, cuja resposta envolve o destino da humanidade toda. Se levamos isso aos termos de conforto e desconforto que propus, o mundo inteiro parece estar estagnado no conforto do presente, ignorando as consequências que isso pode trazer no futuro. Como o desconforto reduz votos e poder para quem o assume, os líderes preferem fazer tudo o que está ao seu alcance para manter o statu quo herdado, mesmo que isso custe consequências futuras, incendiando o futuro para manter aquecido o presente.
Assim, os Estados contemporâneos entraram em uma dinâmica muito complexa de reversão em que os incentivos, tanto da população quanto dos políticos, apontam para privilegiar a distribuição da riqueza de hoje em detrimento da geração da riqueza de amanhã. Em todos os momentos, os tomadores de decisão têm à sua frente a escolha de: ou preservar o legado que lhes foi confiado ou destruí-lo. Este legado pode ser riqueza acumulada, capacidade produtiva, leis ou qualquer coisa que faça o bem comum. Geralmente, se eles incineram seu legado, se optam pelo conforto, terão grandes benefícios presentes, mas sofrendo custos futuros ainda maiores. Se hoje eu disponho de uma poupança, eu a perco para amanhã; se a mantiver, do outro lado, preservo o crescimento e a prosperidade tanto de mim mesmo quanto das gerações futuras.
Ou seja, é necessário encontrar um equilíbrio para que o pão de hoje não signifique fome para amanhã, e assim garantir um aumento sustentado do bem-estar, algo que os economistas chamamos de crescimento econômico. Dito crescimento às vezes pode parecer lento e às vezes pode parecer temporariamente freado porque o progresso nunca é linear.
Mas é precisamente sua consistência a longo prazo que revolucionou sistematicamente o mundo e tirou bilhões da pobreza. A diferença entre crescer 0% e crescer 2% a longo prazo é a diferença entre o estagnamento e a prosperidade. Os argentinos sabemos muito sobre isso, sendo o único país da região que não cresceu nos últimos quinze anos. No plano legal, a condição para o crescimento é a sacralidade da propriedade e do livre mercado, que nada mais é do que a livre cooperação entre pares. Porque sem direito de propriedade, não há poupança; sem poupança e capacidade de trocá-la livremente, não há investimento; e sem investimento, não há crescimento possível.
Mas não está no interesse individual do político respeitar esses princípios porque é precisamente na ampliação do Estado, às custas das liberdades dos cidadãos, que o político ganha poder. Assim, para o político será sempre vantajoso sacrificar o futuro no altar do presente porque consumir o capital acumulado gera bem-estar momentâneo e esse bem-estar momentâneo gera votos. Mas, em troca, ele está sacrificando um futuro de maior crescimento, fazendo com que a riqueza acumulada seja cada vez menor no tempo.
A maior manifestação disso são aqueles países que mostram uma orgia de aumento de gastos públicos, já que o Estado não cria riqueza, mas a rouba, a destrói. Nesse esquema, o político ganha poder por via dupla, se legitima democraticamente e obtém mais recursos para gastar. Ou seja, o político tem um duplo incentivo para fomentar esta traição intergeracional porque, embora todos percam no futuro, no presente ele ganha mais do que ninguém.
Neste sentido, um grande homem é aquele que planta árvores cuja sombra sabe que nunca desfrutará; aquele que corta as árvores que outros plantaram para assim construir sua cadeira de poder é um homem miserável. Em suma, é um homem desprezível.
Este é o grande mal e a grande armadilha a que quase todas as nações estão lentamente sucumbindo, porque quando esse processo avança, o crescimento estagna, e quando o crescimento estagna, a demanda por redistribuição se intensifica. Então, o político populista grita com mais força, apelando à inveja e ao ressentimento. O fim deste processo é ver jovens desamparados, sufocados pelo peso de um Estado que sabem que só está lá para explorá-los.
Infelizmente, as medidas de expansão fiscal, de expansão monetária e a expansão do poder estatal em detrimento do dos indivíduos constituem um padrão que está se repetindo em todos os países, especialmente naqueles que compõem o mundo livre.
Mas o problema não é apenas de política econômica, também o vemos quando se viola a igualdade diante da lei ou se abrem as portas de forma indiscriminada à imigração por razões políticas. Ao contrário do que é a imigração, neste caso, se trataria de uma invasão. E os organismos de cooperação internacional, dos quais esta organização faz parte, também não são alheios a este problema.
Com o passar dos anos, esta organização adquiriu funções estranhas ao seu espírito fundacional. Criou camadas sobre camadas de organismos, agências e programas até alcançar uma hipertrofia de administrações que são pouco efetivas na hora de resolver os problemas para os quais foram criadas. Assim, engrossam as responsabilidades da ONU, aumentam as contribuições recebidas pelos países membros e reduzem os resultados palpáveis que esta organização tinha para oferecer ao mundo.
A este coquetel de incentivos cruzados se soma que, ao contrário dos primeiros mandatários nacionais, as organizações internacionais realmente não prestam contas por falhar na resolução de um problema. Esta contradição entre grandes objetivos e resultados magros gerou uma erosão do prestígio desta casa e de outras. Não por menos, os maus resultados da Agenda 2030 testemunham isso que descrevo. O que persiste na prática é um ciclo de estruturas que se reciclam, recursos que se multiplicam e metas que se reprogramam. Por esta razão, a Argentina decidiu, em seu momento, se afastar desse processo porque víamos nesta agenda um mau uso de recursos escassos, com fins que não compartilhávamos e com o efeito de desviar a atenção das dificuldades reais de um mundo em direção ao estagnamento.
É meu dever advertir contra este mal porque na Argentina vivemos suas consequências naturais. Chegamos ao fim do caminho confortável que leva a desconsiderar o futuro, ou seja, que viemos de um futuro que para vocês ainda não chegou. E quero lhes dizer que ainda estão a tempo de evitá-lo. Porque nenhuma sociedade pode sobreviver se incendeia o futuro para aquecer o presente.
No meu país, aprendemos da pior maneira uma lição muito valiosa: por décadas hipotecamos fluxos futuros em função de repartir estoque no presente. Em 2023, chegamos finalmente ao longo prazo de cem anos consecutivos de fazer as coisas mal, passando a conta de mão em mão até que não sobrasse ninguém para pagá-la. E tudo isso — somado ao que lhes contei anteriormente — acabou quebrando nosso Estado.
Como resultado dessa implosão durante o último ano e meio, tivemos a gigantesca tarefa de administrar a escassez extrema. E hoje estamos, pela primeira vez em décadas, fazendo o que deve ser feito para que o futuro seja melhor. Para o que a única fórmula é fazer o contrário do que foi feito no passado. A isso se opõe o resto da política, que nos demanda fazer o mesmo que eles faziam e que também nos arrastou à decadência: hipotecar o futuro para satisfazer demandas presentes.
Eles querem que apliquemos o que fizeram mil vezes e nos trouxe até aqui, mas quero deixar claro que a Argentina hoje tem um Governo que decidiu seguir o caminho correto, embora seja o mais difícil; porque a prosperidade e o progresso do nosso povo não podem mais ser adiados.
Não somos, no entanto, os únicos tomando as decisões difíceis que este momento histórico demanda. O Presidente Trump, nos Estados Unidos, também entende que é o momento de reverter uma dinâmica que estava levando os Estados Unidos a uma catástrofe, e sabemos que uma catástrofe nos Estados Unidos é uma catástrofe global. Sua rígida e bem-sucedida política em termos de conter a imigração ilegal deixa isso mais do que claro.
Ele entende que deve fazer o necessário, mesmo que a muitos não goste, antes que seja tarde demais. Em outros países, por exemplo, já é tarde demais para essa decisão. Não só isso, mas também está levando a cabo uma reestruturação sem precedentes dos termos do comércio internacional. Uma tarefa de magnitude titânica que toca o coração do sistema econômico global, porque esse sistema estava depredando o coração industrial de seu país e o mergulhando em uma crise de dívida sem paralelo; mais ainda, está realizando uma limpeza da captura institucional do Estado americano porque nele se infiltraram facções de esquerda que atentavam contra qualquer programa de reforma, por mais necessário que fosse.
Esse tipo de desafios que tanto o Presidente Trump quanto eu estamos enfrentando tem um denominador comum que todos os países do mundo e mesmo as organizações supranacionais devem encarar: Devem encontrar a maneira de recuperar um interesse pelo futuro e não sucumbir à tentação de apenas atender o presente. Isso é algo que as grandes nações do Ocidente praticaram durante muito tempo e precisamos recuperar.
É necessário voltar às bases, devemos recuperar uma noção do que é prioritário, acompanhada pela recuperação da noção de fazer o difícil e correto em vez do fácil e confortável. Como já disse anteriormente: isso também é verdadeiro para os diversos organismos internacionais que têm gradualmente incorporado essa ação em seu ecossistema. Acredito que falo por todos ao dizer que gostaríamos que a ONU liderasse essa mudança de paradigma, voltando às bases que a tornaram a grande organização que soube ser no passado.
Por isso, gostaria humildemente de colocar à disposição desta Assembleia quatro princípios que acreditamos poderem ser úteis para avançar em direção a esse objetivo: 1. Princípio do mandato essencial. A missão central da ONU é preservar a paz e a segurança internacional; tudo o mais deve ser concebido como complementar a esse fim. A gestão estratégica e os recursos desta instituição requerem, portanto, apegar-se a essas prioridades, e não a outras.
2. Princípio da subsidiariedade internacional. A ONU deveria intervir em um tema apenas quando for evidente que o problema excede de maneira demonstrável as capacidades de ação nacional; em todos os outros casos, cabe devolver a iniciativa aos Estados que são aqueles que possuem legitimidade democrática e respondem perante seus povos.
3. Princípio da diligência institucional. Assim como a Argentina iniciou um processo de otimização do Estado eliminando estruturas redundantes e devolvendo recursos aos contribuintes, entendemos que a ONU precisa de um caminho semelhante. Isso implica a realização de auditorias confiáveis, o fechamento de programas ineficazes, a consolidação de agências únicas e um financiamento condicionado a resultados verificáveis.
4. Princípio da simplificação e racionalização normativa. A paz não é apenas a ausência de conflito; requer sociedades prósperas. A cooperação internacional não deve se transformar em um obstáculo para o crescimento econômico e a geração de oportunidades. Por isso, devemos apoiar apenas iniciativas que não restrinjam a capacidade dos Estados de liberar suas forças produtivas, atrair investimento e fomentar o comércio, que são o caminho mais bem-sucedido para reduzir a pobreza.
Acreditamos que esses quatro princípios seriam grandes valores para reencaminhar esta organização, para que assim possa perdurar e trazer resultados palpáveis ao longo do tempo.
Para finalizar, quero lembrar quatro questões sensíveis e de vital importância para a República Argentina. Em primeiro lugar, quero reiterar nossa reivindicação legítima e irrenunciável sobre a soberania das Ilhas Malvinas, Georgias do Sul, Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes que permanecem ocupados ilegalmente. Apesar dos oitenta anos que se passaram desde a criação desta organização, situações coloniais como essas continuam sem ser resolvidas. Por isso, convidamos ao Reino Unido a retomar as negociações bilaterais de conformidade com a Resolução 2065 desta mesma Assembleia Geral, junto com todas as resoluções posteriores que a acompanham.
Em segundo lugar, quero manifestar novamente meu repúdio às expressões de violência fundamentalista que ainda existem e se propagam pelo mundo. Na Argentina já sofremos este horror com os ataques à Embaixada de Israel e à AMIA em 1992 e 1994, respectivamente. Por isso, instamos a comunidade internacional a fortalecer a cooperação jurídica para garantir que as circulares vermelhas da Interpol sejam respeitadas e que os responsáveis por tais atrocidades possam comparecer diante da Justiça, ajudando-nos a curar essa dolorosa ferida na história do nosso país.
Em terceiro lugar, estamos assistindo a uma escalada inadmissível da violência política por parte da esquerda a nível global. Violência que na Argentina conhecemos muito bem. É inadmissível recorrer à força onde as razões falham. Por isso, repudiamos enfaticamente esses procedimentos que atentam contra as normas básicas de convivência democrática.
Quarto, a situação do cidadão argentino Nahuel Gallo, sequestrado e detido de maneira arbitrária na Venezuela, sem acusação, sem assistência legal ou consular, em termos simples: uma desaparecimento forçada. Exigimos ao Governo da Venezuela sua imediata libertação e fazemos um apelo à comunidade internacional para que acompanhe essa reivindicação legítima, em defesa dos princípios mais básicos do direito internacional e da dignidade humana.
Finalmente, reiteramos nossa exigência pela libertação imediata dos reféns que ainda permanecem cativos em Gaza. Finalmente: que Deus abençoe o mundo livre, que a força do céu nos acompanhe. Muito obrigado a todos.
Discurso del Presidente de la Nación, Javier Milei, en la 80° sesión de la Asamblea General de la ONU, Nueva York
A las autoridades de las Naciones Unidas, a los representantes de los países miembros y a todos los ciudadanos del mundo que siguen atentamente esta cumbre, buenos días.
El año pasado me paré ante ustedes en esta misma asamblea y presenté una nueva orientación en política exterior para la Argentina. Sostuvimos que era imperativo un retorno a las ideas de la libertad, a los principios inmortales que sostienen la dignidad de la vida, la libertad y la propiedad de todos los individuos bajo la ley, y la necesidad de que la cooperación internacional tenga como fin, precisamente, asegurarlas.
Sin embargo, advertí que la ONU se había alejado de su norte en las últimas décadas. El exitoso modelo de Naciones Unidas que hablaba de la necesidad de paz sin victoria y que se fundaba en la cooperación de los Estados-Nación se vio reemplazado por un modelo de gobierno supranacional de burócratas internacionales que buscan imponerles a los ciudadanos del mundo un modo de vivir determinado. Así es como pasamos de una organización que pretendía mediar la paz entre pares a una organización que pretende decidir no solo qué debe hacer cada Estado o Nación, sino también cada uno de los individuos en las distintas latitudes del planeta.
Nosotros creemos en el fin original de este organismo. Creemos que existen problemas globales que requieren del diálogo y la cooperación internacional para ser resueltos. Pero para eso debemos rechazar estas extralimitaciones que a menudo acompañan a las agendas nobles, como sostuvimos el año pasado, no acompañaremos nunca el cercenamiento de libertades individuales, comerciales, ni la violación de los derechos naturales de los ciudadanos de los Estados miembros; y, durante el último año y medio, hemos votado en consecuencia. Esto lo digo a sabiendas de que muchos no comparten mis palabras porque —como siempre dije— es preferible decir una verdad incómoda, que una mentira confortable.
En esta línea, hoy quiero hablarles acerca de un problema específico que enfrentan todos los países modernos. Actualmente, en todo el mundo se está planteando una contradicción entre el presente y el futuro, un problema de índole política, económica y filosófica, en cuya respuesta se juega el destino de la humanidad toda. Si lo llevamos a los términos de comodidad e incomodidad que he planteado, el mundo entero parece estar estancado en el confort del presente, haciendo caso omiso a las consecuencias que esto pueda traer en el futuro. Como la incomodidad le resta voto y poder a quien lo asume, los dirigentes prefieren hacer todo lo que está a su alcance para mantener el statu quo heredado, aunque sea a costa de las consecuencias futuras, incendian el futuro para mantener caliente el presente.
Así, los Estados contemporáneos han entrado en una dinámica muy compleja de revertir en la que los incentivos, tanto de la población como de los políticos, apuntan a privilegiar el repartir la riqueza de hoy por sobre generar la riqueza de mañana. En todo momento, los tomadores de decisiones tienen frente así la decisión de: o bien preservar el legado que les fue encomendado o bien destruirlo. Este legado puede ser riqueza acumulada, capacidad productiva, leyes o cualquier cosa que haga el bien común. Por lo general, si incineran su legado, si optan por la comodidad tendrán grandes beneficios presentes, pero sufriendo costos futuros aún mayores. Si yo dispongo de un ahorro hoy, lo pierdo para mañana; si lo mantienen, por el otro lado, preservan el crecimiento y la prosperidad tanto de sí mismo como de las generaciones futuras.
Es decir, es necesario encontrar un equilibrio para que el pan de hoy no signifique hambre para mañana, y así poder garantizar un incremento sostenido del bienestar, algo que los economistas llamamos crecimiento económico. Dicho crecimiento a veces se podrá sentir lento y a veces podrá verse frenado momentáneamente porque el progreso nunca es lineal.
Pero es precisamente su consistencia a largo plazo lo que ha revolucionado sistemáticamente el mundo y ha sacado a miles de millones de la pobreza. La diferencia entre crecer 0% y crecer 2% a largo plazo es la diferencia entre el estancamiento y la prosperidad. Los argentinos sabemos mucho del tema, siendo el único país de la región que no creció en los últimos quince años. En el plano legal, la condición del crecimiento es la sacralidad de la propiedad y del libre mercado, que no es otra cosa que la libre cooperación entre pares. Porque sin derecho de propiedad, no hay ahorro; sin ahorro ni capacidad de intercambiarlo libremente, no hay inversión; y sin inversión, no hay crecimiento posible.
Pero no está en el interés individual del político respetar estos principios porque es precisamente en el agrandamiento del Estado, a costa de las libertades de los ciudadanos, donde el político gana poder. Es así que para el político siempre será redituable sacrificar el futuro en el altar del presente porque consumir el capital acumulado genera bienestar momentáneo y ese bienestar momentáneo genera votos. Pero a cambio, está sacrificando un futuro de mayor crecimiento, haciendo que la riqueza acumulada sea cada vez menor en el tiempo.
La mayor manifestación de eso es aquellos países que muestran una orgía de aumento de gasto público ya que el Estado no crea riqueza, sino que la roba, sino que la destruye. En este esquema, el político gana poder por vía doble, se legitima democráticamente y obtiene más recursos para gastar. Es decir, el político tiene un doble incentivo para fomentar esta traición intergeneracional porque, aunque en el futuro todos pierden en el presente él más que nadie gana.
En este sentido, un hombre grande es aquel que siembra árboles cuya sombra sabe que nunca disfrutará; aquel que tala los árboles que otros sembraron para así construir su silla de poder, es un hombre miserable. En definitiva, es un hombre despreciable.
Este es el gran mal y la gran trampa a la que casi todas las naciones están de a poco sucumbiendo, porque cuando este proceso se lleva adelante, el crecimiento se estanca, y cuando el crecimiento se estanca, la demanda de redistribución se recrudece. Entonces, el político populista grita con más fuerza, apelando a la envidia y al resentimiento. El final de este proceso es ver jóvenes desamparados, sofocados por el peso de un Estado que saben que solo está allí para explotarlos.
Lamentablemente, las medidas de expansión fiscal, de expansión monetaria y la expansión del poder estatal por sobre el de los individuos, conforman un patrón que se está repitiendo en todos los países, sobre todo en aquellos que componen el mundo libre.
Pero el problema no es solo de política económica, lo vemos también cuando se vio la igualdad ante la ley o se abren las puertas de forma indiscriminada a la inmigración por razones políticas. Contrariamente a lo que es la inmigración, en este caso, se trataría de invasión. Y los organismos de cooperación internacional, de los cuales esta organización forma parte, tampoco son ajenos a este problema.
Con el correr de los años esta organización ha ido adquiriendo funciones ajenas a su espíritu fundacional. Ha ido creando capas sobre capa de organismos, agencias y programas hasta alcanzar una hipertrofia de administraciones que son poco efectivas a la hora de resolver los problemas para los cuales fueron creadas. Así se engrosan las responsabilidades de la ONU, se engrosan los aportes recibidos por parte de las Naciones miembro y se redujeron los resultados palpables que esta organización tenía para ofrecerle al mundo.
A este cóctel de incentivos cruzados se le suma que, a diferencia de los primeros mandatarios nacionales, las organizaciones internacionales nadie rinde verdaderamente cuentas por fallar en la resolución de un problema. Está contradicción entre grandes objetivos y resultados magros ha generado una erosión del prestigio de esta casa y de otras. Sin ir más lejos, los malos resultados de la Agenda 2030 dan testimonio de esto que describo. Lo que persiste la práctica es un ciclo de estructuras que se reciclan, recursos que se multiplican y metas que se reprograman. Por esta razón, la Argentina decidió en su momento apartarse de este proceso porque veíamos en esta agenda un mal gasto de recursos escasos, con fines que no compartíamos y con el efecto de distraer la atención de las dificultades reales de un mundo encaminado al estancamiento.
Es mi deber advertir contra este mal porque en Argentina lo vivimos hasta sus consecuencias natural. Llegamos al fin del cómodo camino al que conduce desentenderse del futuro, o sea que venimos de un futuro que para ustedes aún no ha terminado de llegar. Y quiero decirles que están a tiempo de evitarlo. Porque ninguna sociedad puede sobrevivir si incendia el futuro para calentar el presente.
En mi país, hemos aprendido por las malas una lección muy valiosa: durante décadas se hipotecaron flujos futuros en función de repartir stock en el presente. En 2023, llegamos finalmente al largo plazo de cien años consecutivos de hacer las cosas mal, de pasar la cuenta de mano en mano hasta que no quedó quien la pague. Y todo eso —sumado a lo que les conté previamente— terminó quebrando nuestro Estado.
Producto de esa implosión durante el último año y medio tuvimos la gigante tarea de administrar la escasez extrema. Y hoy estamos por primera vez en décadas haciendo lo que hay que hacer para que el futuro sea mejor. Para lo cual la única fórmula es hacer lo contrario a lo que se hizo en el pasado. A esto se le contrapone el resto de la política, que nos demanda hacer lo mismo que hacían ellos y que también nos arrastró hacia la decadencia: hipotecar el futuro para satisfacer demandas presentes.
Ellos quieren que apliquemos lo que hicieron mil veces y nos trajo hasta aquí, pero quiero dejarles en claro que Argentina hoy tiene un Gobierno que decidió emprender el camino correcto, aunque sea el más difícil; porque la prosperidad y el progreso de nuestro pueblo no puede postergarse más.
No somos, sin embargo, los únicos que estamos tomando las decisiones difíciles que este momento histórico demanda. El Presidente Trump, en Estados Unidos, también entiende que es el momento de revertir una dinámica que estaba llevando a Estados Unidos a una catástrofe, y sabemos que una catástrofe en Estados Unidos es una catástrofe global. Su férrea y exitosa política en términos de ponerle un freno a la inmigración ilegal lo deja más que claro.
Entiende que debe hacer lo necesario, aunque a muchos no les guste, antes de que sea demasiado tarde. En otros países, por ejemplo, ya es demasiado tarde para esta decisión. No solo eso, sino que también está llevando adelante una reestructuración, sin precedentes, de los términos del comercio internacional. Una tarea de magnitudes titánicas que hacen al corazón del sistema económico global, porque este sistema estaba depredando el corazón industrial de su país y sumiéndolo en una crisis de deuda sin parangón; más aún, está llevando adelante una limpieza de la captura institucional del Estado americano porque en el mismo se habían infiltrado facciones de izquierda que atentaban contra cualquier programa de reforma por más necesario que fuera.
Este tipo de desafíos que tanto el Presidente Trump como yo estamos abordando tienen un denominador común que todos los países del mundo e incluso las organizaciones supranacionales deben enfrentar: Deben encontrar la manera de recuperar un interés por el futuro y no sucumbir a la tentación de solo atender el presente. Esto es algo que las grandes naciones de Occidente durante mucho tiempo practicaron y necesitamos recuperar.
Hace falta volver a las bases, debemos recuperar una noción de lo prioritario, acompañado por recuperar una noción de hacer lo difícil y correcto por sobre lo fácil y cómodo. Tal como dije anteriormente: esto también es cierto para los distintos organismos internacionales que han ido incorporando gradualmente este accionar en su ecosistema. Creo que hablo por todos al decir que nos gustaría que la ONU lidere este cambio de paradigma, regresando a las bases que la han convertido en la gran organización que supo ser en el pasado.
Por eso quisiera humildemente poner a disposición de esta Asamblea cuatro principios que creemos pueden ser útiles para seguir en pos de este objetivo:1. Principio del mandato esencial. La misión central de la ONU es preservar la paz y la seguridad internacional, todo lo demás debe concebirse como complementario a ese fin. La gestión estratégica, los recursos de esta institución requiere, por lo tanto, apegarse a esas prioridades, no a otras.
2. Principio de subsidiariedad internacional. La ONU debería intervenir sobre un tema únicamente cuando sea evidente que el problema excede de manera demostrable las capacidades de acción nacional, en todos los demás casos corresponde devolver la iniciativa a los Estados que son quienes poseen legitimidad democrática y responden ante sus pueblos.
3. Principio de diligencia institucional. Así como la Argentina ha iniciado un proceso de optimización del Estado eliminando estructuras redundantes y devolviendo recursos a los contribuyentes, entendemos que la ONU necesita un camino similar. Eso implica la realización de auditorías confiables, el cierre de programas ineficaces, la consolidación de agencias únicas y un financiamiento condicionado a resultados verificables.
4. Principio de simplificación y racionalización normativa. La paz no es solo ausencia de conflicto, requiere sociedades prósperas. La cooperación internacional no debe transformarse en un obstáculo para el crecimiento económico y la generación de oportunidades. Por ello, solo debemos apoyar iniciativas que no restrinjan la capacidad de los Estados de liberar sus fuerzas productivas, atraer inversión y fomentar el comercio, que son el camino más exitoso para reducir la pobreza.
Creemos que estos cuatro principios serían grandes valores para reencauzar esta organización, para que así pueda perdurar y traer resultados palpables en el tiempo.
Para finalizar, quiero recordar cuatro cuestiones sensibles y de vital importancia para la República Argentina. En primer lugar, quiero reiterar nuestro reclamo legítimo e irrenunciable sobre la soberanía de las Islas Malvinas, Georgias del Sur, Sándwich del Sur y los espacios marítimos circundantes que permanecen ocupados ilegalmente. A pesar de los ochenta años que pasaron desde la creación de esta organización, situaciones coloniales como estas siguen sin ser resueltas. Por lo que invitamos al Reino Unido a reanudar las negociaciones bilaterales de conformidad con la Resolución 2065 de esta misma Asamblea General junto con todas las resoluciones posteriores que la acompañan.
En segundo lugar, quiero manifestar nuevamente mi repudio a las expresiones de violencia fundamentalistas que aún existen y se propagan por el mundo. En Argentina ya sufrimos este horror con los ataques de la Embajada Israel y la AMIA en los años 1992 y 1994 respectivamente. Por eso, instamos a la comunidad internacional a fortalecer la cooperación jurídica para garantizar que las circulares rojas de Interpol sean respetadas y que los responsables de dichas atrocidades puedan comparecer ante la Justicia, ayudándonos a terminar de cicatrizar esta dolorosa herida en la historia de nuestro país.
Tercero, estamos asistiendo a una escalada inadmisible la violencia política por parte de la izquierda a nivel global. Violencia que en Argentina conocemos muy bien. Es inadmisible recurrir a la fuerza allí donde las razones fallan. Por eso, repudiamos enfáticamente estos procedimientos que atentan contra las normas básicas de convivencia democrática.
Cuarto, la situación del ciudadano argentino Nahuel Gallo secuestrado y detenido de manera arbitraria en Venezuela, sin imputación, sin asistencia legal ni consular, en palabras simple: una desaparición forzosa. Exigimos al Gobierno de Venezuela su inmediata liberación y hacemos un llamado a la comunidad internacional para que acompañe este reclamo legítimo, en defensa de los principios más básicos del derecho internacional y de la dignidad humana.
Finalmente, reiteramos nuestra exigencia de liberación inmediata de los rehenes que aún permanecen cautivos en Gaza. Finalmente: que Dios bendiga al mundo libre, que la fuerza del cielo nos acompañe. Muchas gracias a todos.
Texto completo original em espanhol, publicado por Casa Rosada.
Copiadas literalmente do discurso oficial; tradução da MileiHoy.
“Sustentamos que era imperativo um retorno às ideias da liberdade, aos princípios imortais que sustentam a dignidade da vida, da liberdade e da propriedade de todos os indivíduos sob a lei.”
— Javier Milei · Ver no discurso
“Assim, sempre será lucrativo para o político sacrificar o futuro no altar do presente, pois consumir o capital acumulado gera bem-estar momentâneo e esse bem-estar momentâneo gera votos.”
— Javier Milei · Ver no discurso
“Porque nenhuma sociedade pode sobreviver se queimar o futuro para aquecer o presente.”
— Javier Milei · Ver no discurso
“Em 2023, finalmente chegamos ao longo prazo de cem anos consecutivos de fazer as coisas erradas, passando a conta de mão em mão até que não restasse ninguém para pagá-la.”
— Javier Milei · Ver no discurso
“A ONU deveria intervir em um tema apenas quando for evidente que o problema excede de maneira demonstrável as capacidades de ação nacional.”
— Javier Milei · Ver no discurso